Normandia, na França: O Desembarque da Esperança!

Do outeiro que segue a praia Omaha Beach, de onde se observa a lindíssima vista do Atlântico Norte, descansam para a eternidade os corpos de 9.387 jovens soldados que ao lutar pela paz encontraram a morte na Normandia, em 1944.

O cemitério americano localizado em Colleville-sur-Mer, na Normandia, talvez seja o maior emblema do DIA D, batalha que marcou o início do fim da ocupação nazista na Europa ocidental.

A capela, o memorial e o jardim do Cimetière Americaine, construídos e preservados com grande reverência pelos governos dos Estados Unidos e da França, oportunizam ao turista uma experiência de grande simbolismo e sentimentos paradoxais; ao mesmo tempo em que nos comovemos com a imagem de milhares de cruzes e muitas estrelas, percebemos as atrocidades de que nós, homens e mulheres, fomos e ainda somos capazes de patrocinar.

  • Da hora: a visita ao cemitério, gratuita, requer apresentação do passaporte. O território onde se localiza, embora na Normandia/França, mantém concessão perpétua de uso americano. Não é necessário visto. Há estacionamento amplo e também gratuito.

As cinco praias do desembarque testemunharam com muito sangue e lágrimas a luta pela retomada da soberania de muitos países do velho continente.

O dia de nossa vista foi marcado pelo céu nublado, em coincidência ao dia do Desembarque. Aliás, o mau tempo, em 44, teria sido o responsável por muitas perdas, dado que a maré alta obrigava os soldados a saltarem muito próximos à praia e, logo, à vista do arsenal de defesa/ataque alemã. As roupas e equipamentos, pesados e presos ao corpo, dificultaram a chegada daqueles que se arriscaram a entrar no mar a uma certa distância, em tese, mais segura. Muitos perderam a vida ainda na água.

 

A luta sangrenta do 06/06/1944 tirou precocemente a vida muitos pais e filhos, número aproximado de 30.000, e para o turista, visitar um cemitério de guerra é, sem dúvida, uma mistura inebriante de satisfação de conhecer um local onde a história aconteceu e, ao mesmo tempo, de tristeza por tudo o que se passou no Dia D.

A operação Overlord, como era oficialmente nominada a batalha, movimentou ao menos 150 mil homens, 30 mil veículos e 5 mil navios ao longo dos 35km do Canal da Mancha, da Inglaterra à Normandia. Além do mar, pelo céu, guarnecidos de 800 aviões e 13 mil paraquedistas, os aliados forçaram a retomada memorável da França e marcaram com ânimo e coragem o retorno da liberdade ao país barbaramente ocupado.

Além de britânicos, norte-americanos, canadenses e franceses livres também desembarcaram na Normandia dispostos a enfrentar o poderio armado inimigo não sobrando alternativa à Alemanha diversa do recuo.

Nas praias de Omaha – Colleville-sur-Mer e Utah – Quinéville desembarcaram os norte-americanos. Britânicos e canadenses se dirigiram para as praias Gold – Arromanches, Juno e Sword – Ouistreham. Estas foram as cinco praias do icônico Dia D, DDay ou JJour.

 

Não menos preparados para o front que se seguiu, os milhares de paraquedistas saltaram em terra firme, e a pequenina Sainte-Mére-Église foi a primeira cidade liberta na França.

 

  • Da hora: A região está a aproximadamente 250km a oeste de Paris. O caminho merece ser percorrido de carro, há lindos campos de canola e paisagens bucólicas que enchem os olhos com infinidade de cores e edificações características da Normandia. Dica: Vale uma parada em Giverny, a casa/jardim de Monet.

Arromanches-les-Bains – Gold Beach e Porto Winston.

A vila de 1.000 habitantes está no litoral – Gold Beach, assim batizada pelos aliados, que segue a trajetória para o leste, mantém (pé na areia) um excelente museu com vestimentas dos combatentes e inumeráveis relíquias do arsenal utilizado do Dia D – Musée du Debarquement.

 

 

O museu, através de maquetes, conta especialmente os detalhes da montagem da baía ou porto artificiais (PORTO WINSTON) que serviram ao desembarque de maquinário e milhares de outros soldados nos dias seguintes ao 06 de junho. O concreto armado, lançado ao mar em pontos específicos, que sustentavam as estruturas de aço, flexíveis que, juntas, compunham verdadeiras pontes, ligando os bombardeiros e grandes barcos ao continente.

A maquete da “engenhoca” criada e montada de modo espetacularmente rápido para adaptar a baía provisória, ligando por extensa estrutura metálica é algo fantástico de se observar no museu de Arromanches. Criatividade, inteligência e muita ousadia sustentaram o desembarque para a paz!

Além do museu fechado, o sítio, ainda na praia e a céu aberto, ostenta alguns desses blocos de concreto que ainda permanecem resistindo ao tempo e aos eventos da natureza.

É emocionante ler as mensagens que as pessoas de todo o mundo escrevem na areia, às voltas dos restos do porto, em referência à fundamental batalha travada naquele famoso dia.

Colleville-sur-Mer – Omaha beach.

A mais conhecida praia do Desembarque foi também a mais sangrenta. Em Omaha Beach, nome adotado pelos aliados da pequena Colleville-sur-Mer, ficou com águas vermelhas e o céu chorou as milhares de mortes ocorridas por ocasião do Desembarque.

As casamatas ainda estão expostas ao turista e ao sol e chuva, ao longo da praia.

Excluindo a história, a praia é extensa, de areia clara e ondas relativamente calmas e de cor esmeralda. Mas ao imaginar todo o sangue que mudou a cor da esperança, passa a soar estranho um banho de mar em uma tarde tranquila de verão. Certamente para os moradores da região tudo foi superado, mas para o visitante curioso acerca dos sítios da Segunda Guerra, a cena não deixa de parecer um pouco bizarra.

Para nós foi mesmo singular, especialmente porque quando por lá estivemos, embora primavera, o céu estava fechado, fazia frio e ventava.

São muitos os museus ao longo da costa e próximo às cinco praias, de grandes equipamentos, maquinários, arsenal de guerra… Ao visitante muito interessado sugiro o mínimo de 3 dias inteiros para o percurso.

Voltando às memórias do Dia D, é bom dizer aos amigos leitores que nesta região o inglês é muito falado, considerando que boa parte dos visitantes é de americanos e principalmente ingleses. Muitos, inclusive, parentes.

Dos momentos mais lúdicos e comoventes desse nosso passeio foi ouvir, na pousada onde nos hospedamos, Le TardifMaison d’Hôtes, a história de um soldado, morto no combate de 06/06, contada por seu neto que visitava o túmulo do avô, enterrado em Colleville. Muitas lágrimas rolaram… a emoção é tangente.

É claro, para este posto, as sugestões de filme são “O resgate do soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg, com Tom Hanks e mais” e “Os caçadores de Obras Primas (2014), de George Clooney, com George Clooney, Matt Damon, Bill Murray e mais.”, ou a recém lançada série disponível na Netflix “La Segunda Guerra Mundial a todo color”, remasterizada e em cores.

Bem, ficamos por aqui com o relato dessa pequena experiência na França do Desembarque. Para o próximo post vamos falar de Bayeux, a cidade base, que vale um relato somente para ela.

  • Da hora final:

Hotel Tardif, Maison d’Hôtes de Charme. 16, Rue de Nesmond. Bayeux. Normandie. France. CODE : 14.400 TEL : +33 02.31.926772 https://www.hoteltardifbayeux.com/

Restaurante: Le Petit Normand. Cuisine traditionnelle. 35, Rue Larcher (entre la Cathédrale et la tapisseerie). CODE : 14.400. TEL : +33 02.31.228866. www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g187181-d1379380-Reviews-Le_Petit_Normand-Bayeux_Calvados_Basse_Normandie_Normandy.html

Normandy American Cemetery and Memorial, ou Cimitière Americain de Normandie – 14710, Colleville-sur-Mer.  www.abmc.gov/cemeteries-memorials/europe/normandy-american-cemetery ou http://www.normandie-tourisme.fr/pcu/cimetiere-americain-de-normandie/colleville-sur-mer/fiche-PCUNOR014FS000IG-1.html

Musée du Débarquement Arromanches – 6 JUIN D DAY, Place du 6 Juin 1944, CODE : 14117 – Arromanches-les-Bains, França. http://www.musee-arromanches.fr/accueil/index.php TEL : +33 2 31 22 34 31

 

 

 

Texto por Marcela Tavernard (Colaboradora): Uma  mineira , que mora em Brasília e ama a França, a língua Francesa, a cultura, a gastronomia,  suas paisagens e em especial os seus Castelos. Em suas viagens, tem o seu marido como o  melhor companheiro

 

 

 

 

.

Deixe uma resposta

Comment
Name*
Mail*
Website*