Índia: um relato pitoresco sobre Nova Deli, Jaipur e Agra!

Esse foi meu primeiro relato de viagem, em dezembro de 2008. Estava a trabalho na India,  mas tive um tempinho para turistar.

Estava em Nova Deli e voltava de uma “rápida” excursão pelo Rajastão (cidade de Jaipur) e Agra (cidade onde fica o Taj Mahal).
NOVA DELI, a capital da Índia, é interessante. Avenidas largas e uma nevoa que só some às duas da tarde. Temperatura bem amena, ficava bem frio à noite. Nem parecia que estava na Índia… até que as buzinas começavam. O indiano reafirma sua existência pela buzina. “Eu buzino, portanto existo.” Vi propaganda na TV sobre a confiabilidade da buzina Bosch!  Imagino que seja motivo de orgulho a primeira buzinada do jovem indiano com a sua “nova” moto/vespinha ! Buzinam por qualquer coisa. Os caminhões (bem coloridos, claro) têm um aviso atrás: Buzine por favor!
Na Índia vi famílias inteiras andando na mesma moto. Pai dirigindo com uma criança amassada entre ele e a esposa. O mais novo na frente, com menos de dois anos de idade, se segurando no guidom. Todo veiculo enche ate a capacidade máxima… e então entram mais uns 3 ou 4. Eu vi muitos jipes … invariavelmente lotados. Um  deles carregava uns 10 indianos. No jornal eu li que num acidente, ao sul da Índia, um “rickshaw” (aqueles triciclos meio táxis, as vezes chamados de tuk tuk) batera num caminhão e alguns morreram. Segundo o jornal o veiculo levava 12 (algumas crianças imagino) a bordo do “rickshaw” (normal caberem 3 turistas bem apertados) e 4 sacos de fertilizante (não me pergunte o motivo de mencionaram isso). Pessoalmente eu adorava andar nos tuk tuks e coagi os colegas a usarem esse meio de transporte que é bem mais divertido que os táxis e dão renda direta aos mais pobres. Nas fotos reparem o nervosismo na cara dos meus colegas e também reparem nos espelhos recolhidos para dentro. Perguntei a um dos motoristas o motivo dos retrovisores estarem dentro do veículo e não fora. Ele falou que era para evitar que outros veículos batessem neles, o que demonstra o quão próximo eles andavam uns dos outros. Ele ainda os usava para ver o lado oposto, o que me pareceu bem confuso. No fundo imagino que eles navegam pelo som das buzinas alheias e por isso buzinam tanto, no rio de gente que é o trânsito indiano.    
JAIPUR é a capital do Rajastão. Terra de ferozes guerreiros e dos Maharajahs (ou Marajás, em português) que mantiveram relativa independência até do grande Império Mughal (muçulmano). O lugar é montanhoso e desértico. As muralhas do antigo Amber Fort são incríveis… sobem e descem morros ingrimes. Os turistas podem subir até lá a bordo de elefantes, se preferirem. O palácio do Maharajah (que ainda vivia por lá) vale muito à pena visitar. Tinha inclusive uma das melhores coleções de armas e espadas que jamais vi. A sensação é de estar num daqueles filmes antigos em que britânicos reinavam sobre o seu vasto Império.   
AGRA , cidade do Taj Mahal… já não era tão agradável. Os 20 mil trabalhadores que fizeram o monumento ficaram por lá, e suas moradias e descendentes formaram uma favela em volta do Taj Mahal. Na hora que chega um turista voam para cima. Vendedores e supostos guias querendo te oferecer de tudo e chega a dar medo. Evitei o pior entrando pelo portão sul com um bom guia. Segurança estava forte… eles revistam tudo e a todos. Passado essa turbilhão humano entramos. Eu esperava não ficar muito impressionado pelo Taj Mahal, por já ter visto tanta coisa e por estar cansado. Como estava errado. Nunca vi nada igual. O prédio parece leve e mesmo a distância muito bonito. Delicado até. A nevoa sempre presente ainda estava dispersando… o local é incrível e destaca a leveza do prédio. O prédio obviamente um luxo só… mármore esculpido e detalhes de flores feitas com pedras semipreciosas do mundo todo. Zero tinta. Mas a arquitetura e a cor branca impressionam. Aquele Imperador Mughal tinha muito bom gosto… e o monumento a sua falecida e amada esposa uma obra de arte. Emocionante.. valeu pela viagem toda.

Vista do Taj Mahal

  • Quando o Imperador  falou que iria erguer um segundo Taj… mas em preto, para que ele tivesse um monumento ao lado da sua mulher, o filho o prendeu no palácio para evitar que o reino quebrasse financeiramente! Ele ficou 11 anos preso, com vista para o Taj Mahal… dizem que, após a morte dela, ele nunca mais sorriu. Quando morreu enterraram-no ao lado da esposa no Taj.

 

 

Lebe, vulgo José Guilherme de Macedo Soares: Descendente de uma das mais tradicionais famílias da diplomacia brasileira, viveu a infância pulando de país em país. Formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, mas no fundo um antropólogo frustrado, trabalha com tradução simultânea como hobby, para custear suas viagens de mochileiro. Sofre de vontade de conhecer o mundo e gosta de locais com história e natureza. Seu projeto de vida é visitar os melhores castelos do mundo.
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