Vale do Loire, 2ª parte – Domínio, fé e beleza!

A lembrança do sol se pondo e iluminando em tons de amarelo e laranja o Château de Saumur é algo do qual quero me lembrar para o resto da vida.

Não menos glamorosa e próspera, esta segunda parte da visita pelo Vale do Loire nos convida para um pernoite de no mínimo duas noites na região. Optamos por três. Garantia de não ser nenhum sacrifício ou desperdício de tempo.

Sem contar os inúmeros Châteaux disponíveis para visitação, a riqueza e a exuberância dos jardins que os cercam agradarão, de certo, os gostos mais exigentes. A rotina tranquila das pequenas cidades e a beleza dos campos que permeiam as estradas vicinais irão causar, sem dúvida, encanto nos corações mais românticos.

Diferentes dos castelos da primeira parte do post Vale do Loire, esses Châteaux talvez sejam um pouco menos requintados em seus interiores, porém ganham no conjunto arquitetônico e nas diversas possibilidades do turista explorar pequenos recantos ao longo do caminho, a exemplo de Montsoreau, Montrésor, Crissay-sur-Manse e Fontevraud-L’Abbaye.

A paisagem rural que se observa no trajeto entre os castelos é de puro deleite aos olhos, ou clicks, e são muitas as vilas próximas umas das outras que nos remetem a certa tranquilidade que não mais reconhecemos em nosso lindo país.

O bem-estar também se nota nas cidades que acomodam os castelos, a exemplo de Chinon, Azay-le-Rideau e Villandry, com suas feiras de produtos locais, deliciosos bistrots e cafés que nos levam a refletir em como seria agradável viver no interior da França.

Ressalto, ainda, que alguns castelos ficam no campo e outros no centro das vilas.

Todos prontos? On n’y va?

 

Dia 1 – Angers e Saumur – o domínio.

 

No primeiro dia do roteiro, enfrentaremos de cara os mais fortes, os dominadores Châteaux Angers e Saumur.

 

Le Château d’Angers oferece uma maravilhosa vista da cidade de mesmo nome que cresceu à volta do castelo. Aliás, com aproximadamente 150 mil habitantes é bem movimentada de comércio, gente, carros e reina o Château no centro da afortunada vila.

Mais medieval que renascentista, berço de um importante reinado na França, a Dinastia de Anjou, dos plantagenetas, descendentes dos ingleses e influentes nas Cruzadas, o Château d’Angers não detém muito luxo em suas diferentes arquiteturas criadas ao longo da história.

Porém, os muros que guardam o Château deixam claras a característica de fortaleza e a lembrança de fortes batalhas do passado.

Imperdível na visita é conhecer a tapeçaria, relíquia medieval com 103 metros de comprimento, que conta através da arte, fios bordados em figuras angelicais, a passagem do Apocalipse – La Tapisserie de l’Apocalypse.

  •  Da hora:Château d’Angers: (9€) 2 Promenade du Bout du Monde, 49100 Angers, França.  www.chateau-angers.fr/

 

Le Château Saumur  visto de longe, às margens do rio Loire, é a representação de castelo que compunha os desenhos de infância. Ao observá-lo, imaginamos príncipes a cavalo, princesas e florestas.

À luz do sol, ou sob os holofotes noturnos, é igualmente lindo. As torres altas são avistadas a partir de toda a cidade e mesmo desde a estrada.

A pequena Saumur mantém tradição nas escolas de equitação que podem ser visitadas, além apresentar várias opções de bom vinho. Foi nossa escolha como base, primeiro porque eu sonhava conhecer o Château (ficamos em um hotel com a melhor vista, em frente, na margem oposta do Loire) e segundo porque há boa oferta de restaurantes, a bom custo-benefício.

Então, para finalizar este primeiro dia, instalados, exploramos a cidade.

 

 

Dia 2 – Le Château Chinon – a fé.

Partimos com destino à Chinon, mas o meio do caminho nos reservou belíssimas paisagens e boas surpresas.

Ao passar pelo village Fontevraud-L’Abbaye não pudemos, infelizmente, visitar as Efígies (túmulos) de Henrique II e Eleonora da Aquitânia (tratamos dela em Bordeaux, a mulher que foi rainha da França e da Inglaterra ao mesmo tempo), pois a Abadia – Abbaye Royale de Fontevraud, que mantém as preciosidades estava em manutenção, mas encontramos a primeira ótima surpresa.

Dado o horário, 12h30, decidimos por um almoço no restaurante da praça, bem em frente à Abadia. Logo nos deparamos com um local dos mais interessantes, em que havia várias geladeiras antigas e armários diversos que conservavam discos em vinil de todo o mundo. Os donos, ao saberem de nossa nacionalidade, nos mostraram, com admiração, a imensa e seleta coleção de música brasileira que muito apreciavam. Assim, tivemos um almoço musical muitíssimo agradável. Vivemos um momento mágico no Le Comptoir des Vins, em Fontevraud-L’Abbaye. Merci.

  • Da hora: Restaurante Fontevraud-L’Abbaye: Le Comptoir des Vins em Fontevraud L’Abbaye. 2 Place des Plantagenets, 49590. Fontevraud-l’Abbaye, França. Telefone: +33 2 41 59 28 76;

Felizes, seguimos para Chinon.

Quem leu a respeito, ou assistiu a algum filme sobre Jeanne D’arc talvez possa se lembrar que a santa guerreira reconheceu o Delfim (nome que se dá ao herdeiro do trono), designado por Deus, mesmo ele estando disfarçado. O fato aconteceu no Château de Chinon. Logo, o castelo é antigo, medieval, mas permanece sua autoridade no alto do morro sobre a cidade que o circunda aos seus pés.

Além de muito agradável, a também pequena cidade de Chinon oferece visitação a inúmeras caves e vinhedos, muito próximas entre si. Vale a pena aquisição de algum(ns) rótulo(s). Trouxemos um para casa, apreciamos sem moderação. Domaine du Roncée – Cave du Coteau de Sonnay. Estava delicioso. A propósito, os preços praticados nas Caves ficam em torno de 8 a 20€.

  • Da hora: nos supermercados podemos encontrar bom rótulos a partir de 4€. E há várias opções em meia garrafa. Mas a aquisição diretamente nas Caves é diferenciada. Além do vinho, podemos acumular a memória do momento.
  • Cave Chinon – Loja próxima ao Château Chinon – Domaine du roncée – 12 Coteau de Sonnay (D21) à Cravaht-les-Coteaux. Code postal: 37500.
  • Para visitar o vinhedo: Route de Huismes (D16) à Chinon, 37500. Oferecem degustação gratuita, caminhada no vinhedo e venda direta de vinhos. GPS: lat. N 47 ° 11’22’’ – LONG. E 0 ° 15’7’’ www.chateau-de-la-grille.com www.baudry-dutour.fr/cave-du-coteau-de-sonnay.html
  • Château-Chinon: http://www.ville-chateau-chinon.fr/ ou http://www.forteressechinon.fr/fr

Seguindo a rota dos vinhedos, partimos em busca em dois pequenos tesouros escondidos no Loire, Crissay-sur-Manse e Montrésor.

Os dois vilarejos, verdadeiramente pequenos, parecem ter parado no tempo. São silenciosos, floridos e bucólicos. Destacam lindos retiros para um descanso ou um piquenique. Muita calma nessa hora.

Na volta, uma boa sugestão é passar por Montsoreau, outro Château às margens do Loire. A vila de mesmo nome oferece passeios de barco e outras opções de lazer, especialmente na primavera e no verão.

Além disso, nos deparamos com mais uma surpresa, um restaurante estrelado do Guia Michelin, de Chef conterrâneo que depois de elaborar a cozinha em outros lugares do mundo, tornou à casa – Restaurant Diane de Méridor. Ao consultarmos o menu, na porta, nos certificamos que os preços eram convidativos, justos. E essa foi a segunda boa surpresa do dia.

Enfim, seguimos para Saumur para nos preparar para o próximo dia de lindas paisagens, castelos e muitas, muitas flores!

 

Dia 3 – Le Château Azay-le-Rideau e Le Château Villandry – a beleza.

Dois grandes castelos que chamam a atenção pela beleza.

O primeiro, Le Château Azay-le-Rideau é especialmente bonito, no meu ponto de vista, porque boa parte de sua estrutura está construída sobre a água. Então, quando observamos os elementos reunidos, água, natureza e arquitetura, ficamos sem palavras com o resultado de tamanho charme e elegância. Simplesmente belo. É a palavra.

Tem características mais renascentistas, considerando a riqueza dos detalhes da parte externa e interna. Também se pode dizer que é o mais romântico, encantador e feminino desta segunda parte de castelos, talvez porque tenha sido construído para uma mulher.

A visita ao seu interior é muito agradável e a lojinha que encontramos ao encerrar o passeio, bastante sedutora, principalmente para as crianças. Também há, no local, uma boa lanchonete. Mas a cidade mantém uma ruazinha com outras opções em bistrots e alguns restaurantes. Muito agradável.

 

E Le Château Villandry e seus jardins magníficos.

A visita ao Château Villandry é diferenciada pois é feita de fora para dentro. O que mais se destaca no castelo em relação a todos os outros são seus jardins e hortas. Logo, aconselho que o tempo reservado para este passeio seja maior, pois além do castelo, há muitos espaços entre flores e arbustos lindamente recortados que convidam para leitura, contemplação e até um repouso!

Importante informar que as tarifas são independentes, para visita ao interior do Château ou se somente se restringir aos jardins!

  • Da hora: em frente ao castelo, do outro lado da rua, há um grande espaço público arborizado, com mesas e bancos de madeira, ideais para o tradicional piquenique.

Encerrado o Villandry, depois de todo o visual de contos de fadas, Saímos de Viagem em direção a Tours, uma antiga e ao mesmo tempo moderna cidade no Vale do Loire. Preferida entre os turistas como base de apoio, é alegre e cheia de gente.

De porte médio para a região, sedia universidades que garantem a alta frequência de jovens e, assim, muitas opções em lojas de departamento, bares e restaurantes. É difícil, por exemplo, encontrar uma mesa na praça, ao lado da Cathédrale, para um chope, ao final do dia. Mas talvez valha a pena esperar uma vaga.

Findo o dia, pegamos a estrada de volta ao por do sol Saumur com ótimas surpresas e lembranças de mais este lindo dia!

  • Da hora: os melhores chocolates e cannelés desta viagem encontramos em uma boulangerie, na saída da cidade. É muito comum encontrar padaria na entrada ou saída dos vilarejos da França. A visita não será perdida, com certeza!

Para este passeio a sugestão do filme vai para Que mal eu fiz a Deus – de Philippe de Chauveron com Christian Clavier, Chantal Lauby, Ary Abittan, Medi Sadoun; comédia francesa recente, muito, mas muito engraçada.

Para a trilha sonora, Everyday is like Sunday, de Morrissey; Perfect, de Ed Sheeran ou Photograph, também dele.

 

 

E aqui termina este post, o retrato de nossa viagem. Cansados de castelos? Vamos para mais um, no próximo relato, que não está no Loire, mas entre Paris e a Borgogne. Para a casa de Napoleão, o magnífico Château de Fontainebleau. Alguém nos acompanha?

 

NOTA: Importante salientar que todas as sugestões de hotéis, restaurantes e passeios são de cunho pessoal, sem nenhum tipo de parceria ou patrocínio. Pagamos por todas as nossas despesas durante a viagem. 

 

 

Texto por Marcela Tavernard (Colaboradora): Uma  mineira , que mora em Brasília e ama a França, a língua Francesa, a cultura, a gastronomia,  suas paisagens e em especial os seus Castelos. Em suas viagens, tem o seu marido como o  melhor companheiro.

 

 

 

 

 

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