Carcassonne, uma obra de arte ao sul da França!

 

Carcassonne – força e fé!

La cité, o vilarejo fortificado que tanto serviu à vigia das terras e à segurança daqueles que nela se protegiam, o feudo viveu tempos de glória e de declínio. Hoje, forte mesmo é o turismo.

Se antes a aldeia servia à guarda da fronteira francesa com a Espanha, desde o século XVII, quando a região foi fixada como território francês, a fortaleza perdeu muito de seu valor logístico e o descaso foi inevitável.

Passados 200 anos de ação do tempo, muito empenho foi gasto para a restauração de La Cité para alcançar a magnitude que apreciamos nos dias de hoje. A grande obra, todavia, não é bem aceita por muitos, dado o alto nível do reparo. Mas uma coisa é certa, o brilho dos telhados das torres em ardósia é visto de longe!

Carcassonne é de beleza impressionante. Ao mesmo tempo bruta como toda construção medieval, expõe a delicadeza de uma obra de arte. De longe ou de perto, de dia ou de noite, a fotografia que a mente e a máquina registram daquele lugar é intangível.

O passeio é simples, uma boa caminhada ao redor dos muros de fora, sobre os muros de dentro, o Château, a igreja, as ruelas que mantem ativas algumas residências e poucos hotéis, restaurantes, bares e muitas lojinhas de souvenirs.

 

Ao cair da noite, com a iluminação que realça as torres, muros e o castelo, o happy hour convida para o deleite de uma taça de vinho ou um copo de cerveja, acompanhados ou não do prato típico da região, o Cassoulet.

Digo que a impressão de cruzar o imponente portão é de que voltamos no tempo e entramos no cenário de histórias hoje lidas e relidas nos contos fadas.

 

Distante 770Km de Paris, Carcassonne está muito próxima do mediterrâneo, há 78Km de Narbonne e 340Km da de Marseille, ainda está no sudoeste da França, no départament de l’Aude, Região Occitanie.

… Como chegar à Carcassonne…

Sem falar na opção do trem, de Toulouse são 93km de carro.  De Bordeaux são 336km.

A sugestão seria um bate e volta a partir de Toulouse. Melhor que isso, passar duas noites em Carcassonne, com um dia para a fortaleza e outro para os arredores de vilarejos muito charmoso. Vale dizer que na cidade “nova” de Carcassonne também há diversas opções de hospedagem, de preços mais acessíveis, inclusive. Nós ficamos em hotel bem do lado (de fora) das muralhas.

Arredores.

… Albi.

Albi é uma linda cidade que abriga o Musée Henri Toulouse-Lautrec, natural da cidade, inaugurado pela mãe do artista, dada a recusa do Louvre em receber, à época, as belíssimas obras do talentoso desenhista.

 

O tijolo de construção, avermelhado, é dominante nas principais edificações no centro da vila, especialmente na Cathédrale de Ste-Cécile, datada de 1265. O rio que corta Albi, Tarn, embeleza o antigo cenário. É movimentada, muito agradável e conta com um bom comércio.

 

 

Sem passar por Toulouse, a partir da estrada secundária a distância é de 107Km ao norte de Carcassonne.

… Ao sul de Carcassonne, um pouquinho de história.

Povos antigos e religiosos, os cátaros, perseguidos pela Inquisição e pelo Rei da França, pelos ídos da Idade Média, encontraram último refúgio em Carcassonne.

Cristãos, os cátaros seguiam dogmas conservadores e muito rígidos. Controversos, não viam com bons olhos a política de domínio estabelecida entre o Rei e a então Igreja.

Perseguidos em suas tradições, escondiam-se nas montanhas do Languedoc e construíam seus castelos no alto das rochas. Conhecedores das ervas e fazedores de remédios, foram acusados de bruxaria.

Ao enfrentarem a destruição de Montségur, os sobreviventes foram acolhidos pelo senhor feudal de Carcassonne. Contudo seus “pecados” não foram esquecidos ou perdoados, e a caçada os encontrou, levando o ferro e o fogo até Carcassonne.  Mesmo com força e fé La Cité, reconquistada pelo Rei, ficou aos pedaços.

O Occitan era a língua falada no Languedoc, além do catalão. Interessante anotar que em todas as cidades daquela parte do país, especialmente nos vilarejos mais antigos, a bandeira de listras amarelas e vermelhas está sempre em evidência, mantendo forte a liga entre o passado e o presente.

Dizem que os cátaros eram os guardiões do Santo Graal, e que o teriam levado da Terra Santa até algum esconderijo no sul da França. Por lá muitos já procuraram pela relíquia, além de historiadores, aventureiros reis, os nazistas, em tempos não muitos distantes. Ponto de investigação teria sido Rennes-le-Château. Lembram do Código da Vinci, de Dan Brown? Então, é de lá que estamos falando.

… Rennes-le-Château.

Há 46Km ao sul de Carcassonne, o vilarejo descrito por Dan Brown como protegido pelo Abade Saunière, apontado depositário dos restos mortais de Maria Madalena, do Santo Graal e de um grande tesouro, é bem pequeno, charmoso e está no alto da montanha.

Não vimos relíquias ou tesouros, mas a capela dedicada à Maria Madalena é deslumbrantemente decorada em tons de azul e dourado. O roseiral no jardim também é belíssimo. Há sim uma pequena torre, e a casa onde viveu e morreu o Abade. A visita é curiosa, tanto se disse, tanto se sustentou… o mistério é inebriante!

 

 

… Montségur.

Das últimas fortificações dos cátaros, Montségur está há 52km ao sul de Rennes-le-Château e 98km de Carcassonne, na direção dos Pirineus.

 

 

De costume, os castelos em que viviam os Cátaros, aqueles cristãos dissidentes da Igreja, ficavam em locais de difícil acesso. Montségur foi o último a vir por terra.

No alto da montanha, sobre as pedras e muito próximo ao despenhadeiro, o ataque dos cruzados provocou a morte de mais de 200 seguidores que teriam sido queimados na fogueira. A cruz fixada em homenagem aos religiosos permanece no local onde teria ocorrido a terrível queima.

A trilha que leva às ruínas do Château de Montségur é menos difícil do que parece. Claro que uma roupa apropriada torna o desafio mais agradável, porém, um par de tênis garante a chegada ao topo. No alto, da construção não restou nada além de ruínas e pedras. A vista, contudo, é deslumbrante, alcançando os picos nevados dos Pirineus! Vale muuuito a pena ir até lá!

Para este percurso, vou indicar, além do Código da Vinci, outro romance que já virou série e tem a região por cenário – Labirinto, de Kate Mosse, em que além dos mistérios religiosos em torno desses cristãos, a grande ligação entre Carcassonne com a Cathédrale de Chartres, no Vale do Loire. E para lá a gente vai, no próximo post sobre a França, no Saiu de Viagem

 

 

 

 

Texto por Marcela Tavernard (Colaboradora): Uma  mineira , que mora em Brasília e ama a França, a língua Francesa, a cultura, a gastronomia,  suas paisagens e em especial os seus Castelos. Em suas viagens, tem o seu marido como o  melhor companheiro.

 

 

 

 

 

2 comments to Carcassonne, uma obra de arte ao sul da França!

  • Limey

    Hello! I feel bad because I don’t understand Portuguese but I really loved the photos in this post! I found your blog through instagram and think it’s amazing! Sending you lot’s of support and hope you can check out my blog as well!

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  • Marcela

    Do not worry about writing in Portuguese. We understand the difficulty and thank the friendly commentary. “Um abraço”, Marcela.

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