Um brinde a Bordeaux, no sudoeste da França!

Le terroir, à Bordeaux!

Bordeaux é uma das cidades mais agradáveis e bonitas da França. Plena de universidades, a velha cidade é jovem e cheia de vida.

Percorrer as estradas cercadas de vinhedos, conhecer pequenos castelos, suas caves memoráveis e ter o prazer de degustar o vinho direto do lugar de origem, sem dúvida, essas são as melhores dicas para Bordeaux.

Situada no sudoeste da França, a elegante e charmosa cidade, classificada pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade, fica às margens do Atlântico e é cortada pelo rio Garonne.

O segundo porto mais antigo da França, Bordeaux não está próximo à Paris, cerca de 500km, embora ostente, da mesma maneira da capital, magnífica arquitetura, lindíssimas paisagens, além de esbanjar a versatilidade entre o antigo e novo.

Mas é nas pequenas comunidades, vilarejos muito próximos à grande cidade, que praticamos a arte de saborear aquela bebida própria aos melhores brindes, na alegria e na tristeza, na saúde e até a na doença. Afinal, no passado, já foi indicado como remédio e hoje ainda conserva aclamados benefícios.

… A cidade…

A parte antiga e histórica de Bordeaux está às margens do rio Garonne e ainda mantém, em suntuosa beleza, os prédios que serviram, desde sempre, ao luxuoso e valorizado comércio do vinho e outros produtos europeus.

Ricos os produtores, milionários e poderosos os mercadores… Desde Eleanor d’Aquitaine que se tornou rainha da França e da Inglaterra, o comércio do vinho prosperou com o domínio inglês e com a retomada da região pela França.

 

Apesar das diversas guerras vivenciadas ao longo da história com romanos… franceses… ingleses… alemães… a cidade permanece, posso garantir, linda, firme e forte! La Bourse, le Grand Théatre, et les Quinconces são testemunhas de toda a trajetória da velha vila.

 

Os cafés, restaurantes, bares de vinhos, ciclovia, calçadão, amplo espaço no jardim, próprio para o tradicional piquenique e encontro de amigos e amores, tudo isso, acreditem, está entre as magníficas construções e a margem do rio. E do outro lado da margem, não duvidem, o visual é ainda mais incrível!

  • Para quem curte material esportivo, a Decathlon de lá é especial!

Bordeaux é grande, o comércio nas ruas é ótimo, inclusive com pequenos shoppings e galerias. O trânsito é intenso e para estacionar, é preciso usar, geralmente, as garagens subterrâneas, às vezes no 4º, 5º subsolos!

Não posso deixar de lembrar que o prato tradicional de Bordeaux é o entrecôte, que pode ser encontrado em praticamente todos os restaurantes.

De regra, contudo, o corte da carne vem acompanhado de molho – la sauce à la béchamel, au fromage, à la moutarde, à la truffe –  com batatas (de verdade) fritas – em forma de canoa, ou purê… e saladinha… e pão…

A maison especializada, L’Entrecôte, apresenta o prato formulado, sem variações.

Ah, bom dizer que os franceses preferem a carne ao ponto, então, convém avisar, ao pedir, da opção diversa. Vamos abrir parênteses (les stades de cuisson sont: à point = ao ponto, saignant – malpassada, bien cuit – bem passada). O preço médio das formules, pratos prontos com entrada ou sobremesa, é de 19€, e da taça – verre – de vinho, 4€.

Considerando que “estamos em Bordeaux”, as alternativas de “vinho da casa”, chamadas pichets, são de ótima procedência… rs… e, os preços, muito convidativos… consultem sempre ao final de la carte! Aliás, em toda a França costumamos usufruir bastante desta alternativa nos restaurantes, e deixar para comprar as garrafas nos supermercados ou caves.

Ainda sobre a cidade, o museu do vinho com sua arquitetura ultra moderna, chamado Cité du Vin, é parada obrigatória. Mas a visita às caves é diferente, é tradição, história e encantamento.

… As caves…

As caves ficam nos Châteaux, fora da (grande) cidade. Por isso, vale a pena alugar um carro. Estão em deslumbrantes casas, cercadas de vinhedos, como as nossas fazendas de café, à moda francesa. Uma depois da outra e assim sucessivamente. O acesso, de carro, contempla paisagens de infindáveis vinhas e o movimento típico de plantação e colheita.

Além do clássico Bordeaux, a região ainda guarda, dentre outros rótulos, os vinhos de Médoc, Pauillac, Saint-Julien, Margaux e os brancos (doces) de Sauterne. Estes lugares representam “a cereja do bolo”, e são o nome dos villages produtores, próximos à cidade Bordeaux.

 

Pauillac

As visitas podem ser marcadas na Maison du Vin, loja especializada na cidade, ou diretamente, ou pela internet, ou pela recepção do hotel. Uma passada na Maison du Vin já é interessante para obter informações de acesso, mapas, enfim, tudo o que está acontecendo na cidade e arredores.

Importante anotar que a reserva para visitação, em algumas caves, é exigida. Outras, ficam abertas todos os dias, inclusive feriados, em geral de 9h às 12h e 14h às 17h ou 18h, a depender da época do ano.

Vale a pena marcar hora porque haverá alguém esperando para nos receber, em grupo ou não, que fará toda a apresentação em inglês, francês ou espanhol. Além daquele aroma amadeirado do carvalho e do vinho que descansa, toda a história nos é apresentada com muita magia… e sabor!

 

Ao final, nos maiores Châteaux acabamos em uma lojinha com dezenas de opções em souveniers, como bolsas, enfeites, acessórios ligados ao vinho. Pura tentação!

É mais fácil e simples do que se imagina, posso garantir! Também não é caro, as garrafas produzidas na última safra custam entre 8€ e 35€. As vintages a gente somente confere se estão bem armazenadas! Porque na visitação somos apresentados a elas… de safras dos tempos das grandes guerras, do ano de nossos nascimentos… Ah, geralmente, se houver compra do vinho, não há cobrança pela visita.

Posso contar que na França, salvo raras exceções como o Pinot Noir e o Chardonnay, os vinhos são rotulados e caracterizados de acordo com a região onde são produzidos e não a uva de produção. Justificam afirmando que a depender dos caprichos da natureza, embora prevaleça o cabernet sauvignon, haverá influência maior ou menor de outras uvas. Assim nos orientou a gentil Sarah, nossa recepcionista em Margaux, no Château Prieuré-Lichine.

Adorável também a visita ao Château Beychevelle, lindíssimo, tradicional, de símbolo já impõe a austeridade do tempo em que os navios, ao cruzarem o Garonne rumo ao mar, baixavam as velas em respeito ao domínio do então conde. São muitas histórias para contar!

Outra informação relevante tivemos por lá, de que os rótulos dos melhores registram a nota mis em bouteille au château – engarrafado na propriedade. Ou seja, garantia de que o produto é original, não há mistura com diferentes produções locais ou até exteriores. É mais uma forma de controle, além da tradicional Appellation, que representa o controle de procedência.

Por fim, é preciso dizer que em 1855, na exposição universal de Paris, foi estabelecido um critério objetivo e oficial de classificação dos melhores vinhos de Bordeaux, les 5 (cinq) Grands Crûs de Bordeaux: Lafite (Pauillac), Yquem, Latour (Pauillac) et Margaux. Em 1973 foi incluído na classificação o Château Mouton Rothschild. A classificação é imutável!

Em suma, conhecer a Bordeaux do vinho é experimentar le terroir, a mistura sublime que deriva do clima, paisagem e solo da região!

Cannelés

Cannelés são bolinhos deliciosos, típicos de Bordeaux. Feitos a partir de gema de ovo e açúcar, a combinação é do tempo em que se usava a clara para assentar a borra do vinho. Hoje, a albumina é sintética, mas a receita ainda é um sucesso… é imperdível! Teste obrigatório! (não contem pra ninguém, eu achei que os vendidos na padarias são ainda mais gostosos do que os oferecidos nas lojas especializadas).

 

 

 

Saint-Émilion…

Saint-Émilion é um vilarejo, de aproximadamente 2000 habitantes, localizado há 50 km de Bordeaux.

Além de reconhecida produção na vinicultura, se trata de uma pequena cidade muito, muito especial.

A igreja, monolítica, construída a partir de uma grande pedra já impõe ao turista o respeito ao tempo e história do lugar. São inumeráveis as pequenas lojas de vinhos, restaurantes e bistrots.

Não é possível ir à Bordeaux e não visitar Saint-Émilion. A terra do Pomerol e, logo, do Château Petrus, exibe irresistível charme!!! Sem falar que há muitas opções em hotéis e pousadas. Uma delícia. Mas o Petrus, de fato, é somente para alguns bolsos, mesmo lá, na fonte!

A classificação dos vinhos em Saint-Émilion é diversa da tradicional Bordeaux. A seleção dos Grands Crûs é anual, a partir da opinião de aproximadamente 100 sommeliers que, de olhos vendados, registram as notas na prova do vinho. Muito legal, não é? Rituais…

Por falar em vilarejos, indico também uma passadinha em Talmont-sur-Gironde, no delta, entre o rio e o mar, caminho dos peregrinos, de milenares registros de passagens e orações! Imperdível. Os souvenirs são belíssimos, todos com motivos ou aromas de rosas, símbolo local!

Seguindo para o Périgord, a estrada é de caminho sinuoso de rochas, curvas, rio, cisnes e muitos vinhedos, e conserva a beleza fascinante dos percursos antigos dos povos da Europa. São lindas as paisagens e o caminho percorrido de carro fixará lembranças agradáveis e, muitas vezes, registradas para sempre na memória, a exemplo do Château de Corbiac, ainda de propriedade dos descendentes do Cyrano, com vinhas antigas e modernas, com características típicas na região o encontro do velho com o novo, da tradição e da modernidade!

Músicas para o momento: daquelas que a gente curte em viagens de carro. Talvez, The XX – I dare you; Bon Iver – Holocene.

Mexer nessas lembranças sempre traz muita saudade, palavra tão nossa, tão única, que faz reviver e voltar a sonhar… com uma próxima viagem!? Para onde? Já ouviram falar de Carcassonne?

 

 

 

 

 

 

Texto por Marcela Tavernard (Colaboradora): Uma  mineira , que mora em Brasília e ama a França, a língua Francesa, a cultura, a gastronomia,  suas paisagens e em especial os seus Castelos. Em suas viagens, tem o seu marido como o  melhor companheiro.

 

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta

Comment
Name*
Mail*
Website*